mandrágora fm

Esta é a rádio que você não encontra no seu dial. É o que eu faria se estivesse trabalhando em uma emissora de rádio. Isto já aconteceu e acontecerá. Ah, quando a rádio não está no ar, eu escrevo mesmo assim.

29.3.10

Fora do ar: Coisa

- Alguma coisa está acontecendo, alguma coisa está acontecendo!


- Deve ser porque você não entendeu o último filme de animação dos dragões.

- Deve ser porque há tempos não encontro alguém com quem não sinto o tempo passar e emendo uma conversa de quatro horas.

- Deve ser porque as pessoas têm pressa e, chegando o final de semana, têm mais risco de infarto do miocárdio.

- Deve ser porque não passou ainda minha vontade de estar no meio de gente.

- Deve ser porque você insiste em ser tão perfeccionista, Glem.

- Deve ser porque numa cidadezinha da Espanha os ceramistas vendem suas cerâmicas dentro de suas casas, não em lojas.

- Deve ser porque Amelita Baltar se apresentou recentemente e você não pode ir vê-la.

- Deve ser porque a música Hide in your Shell parou de tocar no rádio.

- Deve ser porque você não sabe fazer as próprias unhas.

- Deve ser porque o que estou escrevendo eu quero que seja um romance e vejo que ali há, no duro (como diz o Holden no romance do Salinger), uma funda história romântica.

- Deve ser porque lendo romances você molha o rosto.

- Deve ser porque não gosto de sprays e ultimamente ando usando sprays, isso é muito doido.

- Deve ser porque você não sabe dizer não, Glem.

- Deve ser porque digo não o tempo todo.

- Deve ser por isso.

- Deve ser porque nada está acontecendo e desenho cada vez pior.

- Deve ser porque você não tem paciência.

- Deve ser isso.

- Deve ser porque você ficou com vontade de se inscrever no BBB11, Glem.

- É. Pode ser.

- E deve ser, porque você de repente se sentiu muito parecida com aquelas pessoas do BBB10.

- Deve ser.

- Mas também deve ser porque você chora quando vê uma cena de amor da personagem handicapped da novela das oito do canal brasileiro de TV que mais engole pessoas.

- Deve ser porque hoje eu tomei um chocolate quente muito espesso, nem precisei botar mais açúcar. Às 9 e meia da manhã.

- Deve ser porque agora você caminha pelo bairro das árvores e dos prédios antiguinhos e aqueles paralelepípedos te conhecem como poucos.

- Coisa.

- Beijo, Glem.

Marcadores:

14.2.10

Fora do ar

O que vivemos é um calor surpreendemente suportável, porque não queremos suportá-lo e suportamos. E agora as rodas dos carros passando no asfalto me dão a notícia de que tem água na rua. Esses dias de fevereiro têm sido - e me vejo digitando a palavra(!) - revigorantes justamente pelo fato de que se vive apesar de, apesar da massa quente que a gente encara todo dia ao sair, animal gordo, com febre, que esbarra. Se o mundo vai ou não acabar em 2012, pouco importa. Cada ora (e não hora) é mais nítido o silencioso agora.

Marcadores: